Para que não pensem que vivo de pensamentos que pintam o mundo de preto, deixo aqui alguns pensamentos felizes e pictóricos. Está um dia tempestuoso lá fora. Ah! não é negro o dia, é bonito. Aconchegador. Estou a trabalhar e sei que mais logo estarei em casa, no sofázinho, com a minha filha e o Plutão, o cão. Às vezes, nada é melhor do que a rotina. Há coisas que saturam, outras que nos deixam mais cómodos. Falar com aqueles que amamos é mais valioso do que um punhado de diamantes. Saber falar, ver um sorriso a abrir na cara do outro, sentir a alegria do momento é deveras precioso. Devemos saber apreciar os momentos bons, distinguir o bom do normal. Porque há hábitos deliciosos. E não me importo de ser obesa se ficar feliz ;)
28 janeiro 2009
27 janeiro 2009
Demoro a acordar, é lenta a manhã. Mas já acordo. Já consigo dizer que há momentos em que não penso em nada, em que não sou eu, em que imagino mundos e pessoas e não fico a pensar neles. Esvanecem-se quando acordo, lentamente, mas acordo. Parece que tenho todas as razões para não querer acordar. Todas se confluem numa: a solidão. Sinto-me sozinha, vivo num mundo de pessoas egoístas e despreocupadas com os problemas alheios. Gostava de eu me preocupar com os problemas alheios, mas as pessoas estão constantemente a fugir de mim. Então, tenho os meus problemas e só eles me fazem companhia. Acordo porque reparei que se tenho problemas e precisam de ser resolvidos por mim só eu é que posso eliminá-los. E se ninguém compreende que precisava de pessoas para, sei lá, dar duas de treta, falo com os meus problemas. E, no fundo, bem lá no fundo, conheço realmente com quem posso contar, com quem poderei ficar para o resto dos meus dias, com quem se preocupa comigo. Também sei, bem lá no fundo, quem me quer mal, quem deveria gostar de mim e me odeia, quem lê o meu blog e fica calada,a rir-se provavelmente. Mas ódio deixa as pessoas tristes. E eu tenho pena, muita pena que tenha alguém próximo de mim, que esteja mentalmente doente. Tenho pena que só saiba viver das desgraças das outras pessoas. Tenho pena que só saiba rir da morte e não possa apreciar a vida. Não sou rancorosa. Só fico com pena. Esse é o meu estado extremo de desistência. Inveja é o que mata o mundo. Eu não me vou deixar levar por ela.
Dou graças ao amor e à vida. Seres grotescos e egoístas escrevo-os aqui e apago-os da minha memória. Não passam agora de palavras.
Outra questão: se tivessem dois seres vivos (um humano e um animal irracional) a morrer qual deles salvariam?
Dou graças ao amor e à vida. Seres grotescos e egoístas escrevo-os aqui e apago-os da minha memória. Não passam agora de palavras.
Outra questão: se tivessem dois seres vivos (um humano e um animal irracional) a morrer qual deles salvariam?
Hum.. pergunta bastante complicada... Eu escolhi o animal. Porque vi que o humano não tinha salvação. Mas o animal é difícil. Não dá para falar e fazer chantagem emocional. E obrigá-lo é a única solução. Saio ferida fisicamente, mas sei que estou a fazer tudo para o bem dele. Faço pelos animais, porque esses para mim são os únicos seres pensantes. Não pensam em fazer mal propositadamente, fazem mal para se defenderem, para dizer basta. Devíamos usar a capacidade racional para o bem, não para ferir.
20 janeiro 2009
work
Sinto repulsa por pessoas que sorriem quando sabem das tristezas que nos consomem a alma. Sinto repulsa por saber que eu sou o alimento dos pobres.Se calhar sinto repulsa de mim por alimentá-los. Não devia. Nunca ninguém passou por isso? Tenho pena! Mas muita pena! Pois nunca souberam amar! Nunca sentiram felicidade! E pensam que a tristeza que sinto agora nunca esteve associada a alegria. Enganam-se! Ninguém se sente triste se nunca foi feliz. Sente-se inveja nesses casos. E coisa que não sou é ser invejosa! Repulsa... Aqueles olhares de superioridade que me mandam. . O que me fazem para desprezar... Sinto pena, repulsa...E tristeza, porque conheço pessoas boas, e , infelizmente, estou rodeada de abutres!!!
Resignação
Custou aceitar que me deixaram de amar. Não sei mais que faça. Larguei as mãos, deixei de amarrar pedaços que me davam réstias de esperança. Deixei a esperança para trás. Já de nada vale. Tudo perdeu sentido. E agora o sentido vai ter de nascer outra vez. Vou ter de alimentar o meu corpo, por muito que me custe. Um pedaço de pão arranha a garganta, fica entalado a meio do caminho e sinto-o no estômago durante horas. Mas é esse pão ressequido e duro, que me vai fazer andar para a frente. A vida é feita de amarguras. E esta calhou-me a mim. Desesperadamente tentei lutar contra ela, mas nada do que pude fazer contribuiu para nada. Eu sinto-me nada. Nem escrever consigo mais... Só gostava que soubessem que eu poderia ter sido feliz daquela maneira. Há de haver outras. Tem de haver.
19 janeiro 2009
Amor
Três dias sem comer e duas noites sem dormir. Porque de repente a minha alma saiu de mim. E é me insuportável viver sem ela. As paredes têm a sua presença, o seu cheiro. Nas ruas passam as memórias em carros azuis bebés, cashcais, e carro nenhum que poderia ter história se pudessemos falar. Ha coisas na vida que nos deitam para baixo, como a morte de um ente querido. Ha coisas na vida que nos tiram a vontade de viver, quando aquele que mais queremos nos deixa. Sinto-me como tivesse fingido ser cega durante um tempo e quando quero abrir os olhos vejo que fiquei mesmo cega.. E não há arrependimento que chegue, nem promessas de que se tiver os meus olhos de volta prometo que olharei a tudo sem discriminação!! É verdade, eu não quero estar cega, ou sem a minha alma, sem a minha razão de vida.
Faço tudo errado, não consigo ser gerida pela razão. Vejo-me a suplicar pelos meus olhos, a minha vida, a minha alma a quem eu não dei o devido valor. Ah! Como dói não dar o devido valor! Como dói sentir esta perda! Será que tenho de aprender desta maneira? Toda a gente que me viu sofrer, que me viu desistir disse que não valia a pena... Por que é que dizem isso? Não vêm a importância que tem os meus olhos, a minha vida, a minha alma? Como me podem dizer sê forte, quando a minha força foi com ele? Como me podem dizer não digas nada? Para mim é como deixar de respirar. E estou a fazer um esforço extremo por não respirar. Dói, mas não quero que o ar fuja. Preciso dele. E não sei o que fazer. Disse que não acreditava em Deus, e não me acredito. Por que se Deus existisse via que eu estou a ser sincera e quero a maior felicidade para os meus olhos, a minha vida, a minha alma. Serei egoísta ao pensar que poderei fazer uma pessoa feliz? Não quero magoar ninguém. E ouço vezes sem conta uma voz gélida a dizer-me que não dá mais, que já pude desfrutar dos meus olhos, que ficaram cansados e não querem me ver mais... Oh! Como dói ouvir isso... O que faço? Como é seguir em frente? Qual é a frente? Serei eu louca ou é o meu coração que me impele a insistir? Por que é que a Pandora me deixou com a esperança? Eu acho que há esperança. É por isso! Quero ter mais tardes no só nosso banco na marginal da Póvoa, quero ter mais um sorriso teu. Eu não o posso ver, mas lembro-me dele. Tão distante... Quero olhar para ti como sendo parte de mim, não uma amputação. Quero acordar, mas antes quero dormir, e pensar que tu existes no meu mundo e isso não me deixa triste, mas feliz. Não sei ter relações...Não sei..Fui imatura e pensava que estava certa... Eu preciso de uma oportunidade! Não quero que isto seja como o último dia em que vi o meu pai! Não quero ficar de braços cruzados! Não consigo, não posso deixar que o meu eu imaturo e cego deixe vencer o meu outro eu seguro e esperançoso. Que mais promessas poderei fazer? Que palavra ou que acção me levariam a ter os meus olhos de volta? Será calar-me ou falar? Será fingir felicidade ou desabafar fraquezas? Não sei quanto mais tempo aguento, sei que os dias parecem cada vez mais ferozes e pálidos. E não aguento mais perder outra pessoa na minha vida. Não está no meu ser magoar as pessoas ao ponto de me deixarem. Não está no meu ser viver com isso. Aceitar isso. Não me vejo em casa, na rua, no trabalho, com outras pessoas sem poder ter a minha alma. Era esta a minha alma. Eu sei. Nós sabemos quando é o tal. E, ao que parece, foi isto que o tal me deu. Mais não posso pedir. Gostava que ele visse como eu posso ser a tal também. Ai se posso!
10 janeiro 2009
dor
Dói não nos sentirmos amados.
Dói descobrir que não somos especiais, que já não está lá o rapaz que me esperava de bicicleta todos os dias de manhã para me acompanhar à escola, nem o que viajava quilómetros para me ver aos fins de semana, nem aquele que mudava de autocarro só para ir comigo, nem nenhum outro. Tantas promessas me fizeram e todas elas se esfumaram com a desilusão do meu ser.
É de ficar a pensar.
Isto de exigir comportamentos numa relação torna-nos diferentes. Ou então somos diferentes e depois começamos a revelarmo-nos. Não sei se é uma mistura controversa de ilusões e máscaras. Provavelmente nunca somos quem somos quando partilhamos a vida com alguém, mas tornamo-nos um outro agradável ou não.
Eu, evidentemente, era desagradável ao ponto da saturação. Pena de mim? Acho que não. Sinto-me aliviada até! Sinto-me outra. Crescem esperanças ao ver que me torno uma só diferente. Só eu me conheço. Não me importam julgamentos externos. Lá sei quem sou.
Essa não sou. Se calhar já fui, tenho um bocado de pena...Mas remorsos? Não. Se fosse diferente ficava no primeiro namorado e não tinha conhecido o segundo, nem o terceiro, nem o quarto. Oh...Olá quinto!! Desta vez sou assim, já fui assim e aquele não gostou muito, e com aquele era ridiculamente assim!!ah!ah! mas são águas passadas. Nada de Sá Carneiro, os meus beijos não são os deles juntos, são só os meus e únicos. Experimenta! Ou não...Não gostei dessas promessas falsas...Não! Pára, já não quero...Isso não se diz...Casar comigo? Mas tu não me conheces... Amar-me! Palavras vãs. Xau quinto.
Sexto? Não sei. Olha sexto, fazemos assim, nada de promessas, nem de palavras vãs...Pois...Não sei...Sem palavras é complicado..eu sei...Mas as palavras não resultam comigo. O que faço? Alguma ajuda do futuro?!!?? Décimo?? És tu o último? És o melhor ou o que se arranja? Escolhi-te ou tudo o que veio à rede é peixe?
Sozinha eu? Olá ? Números?? pois...sozinha...talvez...
olá zero, olá. Sim, tu compreendes-me e eu compreendo-te. Vamos ser felizes!! Eu sinto desta vez é que é!! Zero à esquerda ou à direita, isso é lá comigo, ficas bem dos dois lados e sinto-me sempre bem do teu lado. És importante para mim, e podes me fazer sentir importante. É disso que eu gosto! De ser especial para alguém! Dá-me alegria ao acordar! Sem zero dói.
Dói descobrir que não somos especiais, que já não está lá o rapaz que me esperava de bicicleta todos os dias de manhã para me acompanhar à escola, nem o que viajava quilómetros para me ver aos fins de semana, nem aquele que mudava de autocarro só para ir comigo, nem nenhum outro. Tantas promessas me fizeram e todas elas se esfumaram com a desilusão do meu ser.
É de ficar a pensar.
Isto de exigir comportamentos numa relação torna-nos diferentes. Ou então somos diferentes e depois começamos a revelarmo-nos. Não sei se é uma mistura controversa de ilusões e máscaras. Provavelmente nunca somos quem somos quando partilhamos a vida com alguém, mas tornamo-nos um outro agradável ou não.
Eu, evidentemente, era desagradável ao ponto da saturação. Pena de mim? Acho que não. Sinto-me aliviada até! Sinto-me outra. Crescem esperanças ao ver que me torno uma só diferente. Só eu me conheço. Não me importam julgamentos externos. Lá sei quem sou.
Essa não sou. Se calhar já fui, tenho um bocado de pena...Mas remorsos? Não. Se fosse diferente ficava no primeiro namorado e não tinha conhecido o segundo, nem o terceiro, nem o quarto. Oh...Olá quinto!! Desta vez sou assim, já fui assim e aquele não gostou muito, e com aquele era ridiculamente assim!!ah!ah! mas são águas passadas. Nada de Sá Carneiro, os meus beijos não são os deles juntos, são só os meus e únicos. Experimenta! Ou não...Não gostei dessas promessas falsas...Não! Pára, já não quero...Isso não se diz...Casar comigo? Mas tu não me conheces... Amar-me! Palavras vãs. Xau quinto.
Sexto? Não sei. Olha sexto, fazemos assim, nada de promessas, nem de palavras vãs...Pois...Não sei...Sem palavras é complicado..eu sei...Mas as palavras não resultam comigo. O que faço? Alguma ajuda do futuro?!!?? Décimo?? És tu o último? És o melhor ou o que se arranja? Escolhi-te ou tudo o que veio à rede é peixe?
Sozinha eu? Olá ? Números?? pois...sozinha...talvez...
olá zero, olá. Sim, tu compreendes-me e eu compreendo-te. Vamos ser felizes!! Eu sinto desta vez é que é!! Zero à esquerda ou à direita, isso é lá comigo, ficas bem dos dois lados e sinto-me sempre bem do teu lado. És importante para mim, e podes me fazer sentir importante. É disso que eu gosto! De ser especial para alguém! Dá-me alegria ao acordar! Sem zero dói.
Anseios
Sou um espírito puro que anseia por aquele momento mágico em que o amor verdadeiro me leve a descobrir o êxtase da carne e da alma em uníssono.
Desejo manter aqueles momentos de leitura à lareira enquanto o frio me tenta tornar gélida.
Quero o meu espaço, com as minhas coisas e com o meu tempo.
Dançar é viver. Quero dar vida. É a única coisa que me dá alento.
Quero começar de novo. Estar com pessoas novas. Fugir de quem se tornou um ser que só ouve o ruído de morte que devagar rói e persiste.
Desejo manter aqueles momentos de leitura à lareira enquanto o frio me tenta tornar gélida.
Quero o meu espaço, com as minhas coisas e com o meu tempo.
Dançar é viver. Quero dar vida. É a única coisa que me dá alento.
Quero começar de novo. Estar com pessoas novas. Fugir de quem se tornou um ser que só ouve o ruído de morte que devagar rói e persiste.
30 dezembro 2008
PARIS 2008
Meninos e meninas, Paris espera-me pela quarta vez:) O que eu queria mesmo era morar lá, mas à falta de melhor faço-lhe uma visitinha de ano a ano. Já é amanhã que chego...e o tempo parece não passar... Para além disso estou gripada e vou apanhar lá um frio de morte. Espero não ter de dizer ao Ricardo e à Áurea para irem percorrer as ruas de Monmartre que eu fico na cama!! Eles bem que agradeciam...Aturar-me durante cinco dias só mesmo para as almas mais caridosas. Estou mortinha por trazer fotografias. Sou tão burra, quase que prefiro as fotos ao momento. Parece que vivo outros momentos a mais ao olhar para as fotografias que tirei. Bem gosto de manipular a minha memória:) Espero não me esquecer de nada para trás; espero não stressar com o Ricardo, o Santo; espero que Áurea goste; espero que haja comidinha boa e quente e barata; espero não ficar sem sapatos; espero que neve (mas não em cima de mim). Espero ir amanhã:)
05 dezembro 2008
Moliére
Antes de ir a Paris, decidi ler literatura francesa. Antes de ir a Versailles, não podia deixar de ler Moliére. Quanto me espanto, ao ler a introdução de D. João editado pelo Campo das Letras, ver nomes de figuras de Vila do Conde misturadas com o meu padrinho de curso!! Mais não me espanto quando vejo que o assunto estava relacionado com as falas das Caxinas. O linguajar dos caxineiros. Trabalho que fiz em fonética no terceiro ano da faculdade com o meu padrinho. Gostei da coincidência.
Ora, o D. João de Moliére está traduzido por Nuno Júdice e com a ajuda dos caxineiros conseguiram arranjar uma fala mais cómica para as personagens Pierrot e Carlota.
Aqui vai um excerto:
Carlota:
-"E eu num te gosto de ti?"
Pierrot:
-" Não, tu num te gostes de mim. E eu faço tudo por ti. Num resmungo quando te bou a comprare coises à loje de fazendes, molho as ceroiles quando te bou às lapes e aos mexilhõses, mando os tocadores de concertine tocare no dia dos teus anos. Era milhore dar co'a cabece na parede. Pra que bejes que num é bão nem de gente sera num se gostare de quem se goste de nós."
Carlota:
"Mas, Birge Santa, eu te gosto de ti."
Ora, o D. João de Moliére está traduzido por Nuno Júdice e com a ajuda dos caxineiros conseguiram arranjar uma fala mais cómica para as personagens Pierrot e Carlota.
Aqui vai um excerto:
Carlota:
-"E eu num te gosto de ti?"
Pierrot:
-" Não, tu num te gostes de mim. E eu faço tudo por ti. Num resmungo quando te bou a comprare coises à loje de fazendes, molho as ceroiles quando te bou às lapes e aos mexilhõses, mando os tocadores de concertine tocare no dia dos teus anos. Era milhore dar co'a cabece na parede. Pra que bejes que num é bão nem de gente sera num se gostare de quem se goste de nós."
Carlota:
"Mas, Birge Santa, eu te gosto de ti."
15 outubro 2008
A Sombra do Vento
Um livro excelente. Em que não existe acaso. E não foi por acaso que veio parar às minhas mãos. Andava eu na demanda de um livro que me conquistasse, desesperada, resolvi pedir ao Daniel que me procurasse entre as prateleiras o livro dos livros: Mil e Um Livros Para Ler Antes de Morrer. Antes que pudesse folheá-lo deparo-me com a entrega de desabafos e de um livro. A leitora sentiu-se na obrigação de me aconselhar o livro para ler, dizendo que nunca leu nada assim. E eu vi no olhar dela que não estava perante um livro de Danielle Steel ou Nora Roberts. Senti-me convidada a desabafar e expús-lhe a minha demanda por um novo livro. A leitora aconselhou-me vivamente a Sombra do Vento. Li o primeiro parágrafo. Interessou-me, mas para perder qualquer desconfiança procurei no livro Mil e Um livros para ler antes de morrer. E lá estava ele: A Sombra do Vento de Carlos Ruíz Zafón. Comecei a lê-lo. Personagem principal: Daniel. História: escolha de um livro ( A Sombra do Vento). Cito e faço dele as minhas palavras: " Talvez fosse aquele pensamento, talvez o acaso ou o seu parente de gala, o destino, mas naquele mesmo instante soube que já tinha escolhido o livro que ia adoptar. Ou talvez devesse dizer o livro que me ia adoptar a mim."Hoje, no último capítulo - "Post-Mortem", verificando já que para além do ênfase dado ao destino, também há uma valorização do círculo inevitável da vida, vem uma leitora perturbar a minha leitura, requisitando um livro intitulado de : "Post-Mortem".
O livro fala para mim e diz-me: não me vais esquecer. É um facto. É o poder deste livro!!
Obrigada.
12 setembro 2008
DEXTER
06 setembro 2008
04 setembro 2008
Guilhotina
Cortem já a cabeça!!
A todos que ousarem passar no meu caminho!!
A qualquer um que ouse olhar para mim!!
Aqueles que ousaram não olhar!!!
Quero ver sangue a correr!!
Cabeças a rolarem!!
Tal como uma pétala de rosa a voar com o vento, quero sentir o sangue dos que ousaram me perturbar!
TU! TU! E TU!
cabeças cortadas já!!!
Àqueles que não falaram e àqueles que falaram de mais que lhes falte a cabeça!
Morte a todos que passaram à minha frente!!
Aqueles que ficaram para trás!
Aos traidores e aos que ainda não trairam!!
Sangue a dançar!!
Cabeças a rolar!!
É hora de matar!!Matar!!
O sangue só é puro quando toca nas minhas mãos! Reguem as rosas com sangue. Quero vê-las a crescer.
As minhas filhas! O vosso pai é o mundo e eu sou a que o governa.
26 agosto 2008
14 agosto 2008
A Ilustre Casa de Ramires
" Oh Avós, de que me servem as vossas armas-se me falta a vossa alma?"
Acabei hoje de ler A Ilustre Casa de Ramires. Gostei da personagem Gonçalo, ainda bem. Porque se não gostasse não gostava de Portugal! Não gostei muito da parte do romance histórico que ele estava a escrever. Talvez porque épocas medievais não são as minhas preferidas. Mas se não fosse essa parte não sentia o alívio e prazer das outras partes. Gosto das descrições das paisagens, acho-as deliciosas.
"Duas casas térreas povoam o lado fronteiro do adro - uma limpa, com as umbreiras das janelas pintadas de azul estridente, a outra deserta, quase sem telhado, afogada na verdura de um quinteiro bravo, onde girassóis resplandecem. Um pensativo silêncio envolvia o arvoredo, as altivas ruínas. E nem o quebrava, antes serenamente o embalava, o sussuro de uma fonte, que a estiagem adelgaçara em fio lento, e mal enchia o seu tanque de pedra, toldada pela pálida e rala folhagem de um chorão muito alto."
Achei o final um bocado rápido, passaram-se quatro anos numa página. A fuga para África achei despropositada. Mas pronto. Agora vou para A Relíquia. E espero que o Eça me perdoe de ter uma perspectiva tão curta acerca das suas obras!!
01 agosto 2008
Assaltos

"Raio de vida. Os que a mim se dirigem não me querem como pessoa. Uns chegam-se para vender, outros para roubar. Ninguém me aborda sem interesse, meu Deus, como me custa ter raça!" in COUTO, Mia , Venenos de Deus, Remédios do Diabo.
Dedico este pedaço de escrita a todos os assaltantes: os que me roubaram bens materiais, outros que me roubaram bens morais, outros bens sentimentais e outros que tais.
As necessidades de cada um, só cada um poderá senti-las. Os outros questionarão se serão necessidades ou caprichos. Não devemos julgar as necessidades ou caprichos dos outros a menos que nos prejudiquem a nós. Massacrada fui eu durante anos por muitas pessoas, mas acho que isso é a cruz de sermos humanos. Seres reles e egoístas que só pensam no seu bem estar, assim somos. Uns mais que outros sem dúvida. Os sem egoísmo ascendem às divindades, os egoístas 100 % ascendem a uma fama perene. Os medianos são os comuns, só os próximos reparam até onde vai o egoísmo, ligado à insensibilidade perante as necessidades do outro.
Senti eu que me roubavam o meu necessário. Isso foi o meu calcanhar de Aquiles. Poderia eu desculpar gozarem as minhas necessidades/ caprichos dos outros. Isso também eu faço, impossível lermos a mente de quem quer que seja. Agora roubarem-me é que não acho certo, tirarem me o que é meu por direito acho ultrajante! Se me tiram as minhas necessidades, tiram me a minha vida, obrigam me a recomeçar de novo. Para quê recomeçar? Custa perder tudo por nada.
É a espiral do caos: pessoas supra egoístas que me roubam tornam me mais egoísta. Fico angustiada porque me recuso a compreender mais o ser humano. Agora por exemplo, a Rosinha, utente assídua da biblioteca, dos seus 40 anos, veio falar comigo de mundos da cabeça dela. Pergunta-me se a prateleira 2 é para meninos da escola. Não a percebo, não há prateleiras, não há números, nem livros escolares. Digo que não, mas não explico como funciona. Calo-me e faço o que estava a fazer. Egoísmo.
Roubaram-me hoje, Rosinha, preciso de uns dias para voltar a ser o que era... Entendes isso? Roubaram-me, sim. Comida, roupa, pedaços da minha filha, o meu sustento. Sou eu só, Rosinha, sinto me mais só sem as minhas coisas. Tu também és só no teu mundo, mas tu estás bem. Não choras quando te roubam, não te faz diferença pois não? Eu vivo para as minhas necessidades. Tenho consciência que preciso de dinheiro para comer. Tu não cozinhas pois não? E quando o teu pai ficar velhinho e já não puder te trazer à biblioteca, Rosinha, vais chorar? Pois Rosinha, é como eu. Pouco tenho e o pouco já não é meu.
Os que me roubaram pouco têm. Menos do que eu. Não devem ter casa, nem emprego. Devem ter mais filhos para alimentar. Mas o que eu tenho não chega para eles e para mim... Eles deviam saber isso... Porque não roubam pessoas ricas? Pessoas que não contam os tostões? Pessoas que ostentam dinheiro? Roubaram-me as batatas e as cebolas. Tiraram-me a mim para comerem eles. Eu ia come-las. Juro. Pouco deito fora. O que deito penso que é para os pobres. Eu dou o que posso, não me roubem.
Mundo injusto em que vivemos. Ja nao se pode contar com o apoio de ninguém. Exigem, riem se da desgraça dos outros, pobres dos pobres e dos pedintes. Pedi uma mão, mas não era estalada que queria.
Em vez de contar com o apoio do mundo prefiro viver no teu mundo, Rosinha. Seremos duas, já não estaremos sozinhas.
23 abril 2008
Fortuna
" Bem afortunado és, leitor desta crónica, se ainda ignoras o que seja a saudade intoleravelmente minaz, o angustioso pasmo ante a realidade inaceitável, a impressão de solidão, vazio, injustiça, que, ao fim de alguns dias, nos causa a morte de um ser bem amado. Ah, vê-lo só mais uma vez, ouvi-lo uma última vez, tocar-lhe uma vez mais, dizer-lhe tudo o que nunca se lhe disse, remediar todo o mal que se lhe fez!... Bem afortunado és, leitor, se, ao evocar um fantasma querido, tão presente e já vago, tão senhor da sua alma e, todavia, já esfumando-se nos pormenores físicos, não sentiste ainda o incompreensível, o cavo, o pavoroso, o gelado desta expressão: nunca mais!... E o tempo que tudo lima- até sobre o ardor destas chagas espalha a sua cinza: No lugar da carne viva, só fica um ponto mais sensível e uma cicatriz."
in RÉGIO, José , O Príncipe com orelhas de burro.
in RÉGIO, José , O Príncipe com orelhas de burro.
21 abril 2008
"Há decisões que se tomam e se lamentam a vida toda e há decisões que se amarga o resto da vida não ter tomado. E há ainda ocasiões em que uma decisão menor, quase banal, acaba por se transformar, por força do destino, numa decisão imensa, que não se buscava mas que vem ter connosco, mudando para sempre os dias que se imaginava ter pela frente. Às vezes, são até estes golpes do destino que substituem à nossa vontade paralisada, forçando a ruptura que temíamos, quebrando a segurança morta em que habitávamos e abrindo as portas do desconhecido de que fugíamos."
TAVARES, Miguel Sousa, Rio das Flores, cap. XVIII
TAVARES, Miguel Sousa, Rio das Flores, cap. XVIII
12 abril 2008
Vintela
Prefácio: muito complicado de se iniciar, mas assim ficou prometido.. Não sei se consigo falar na terceira pessoa, é bastante estranho para mim. Mas aqui vai a primeira e forçada tentativa.
errr... ou nao? começo como? a falar sobre o tempo? gostava que fosse no meio ja do acontecimento: in media res. depois voltavas para tras e explicavas... tipo assim:
Dia longo este... Já começava a custar a passagem da novidade para a rotina, o cumprimento dos horários, sempre as mesmas tarefas e conversas. Passavam-se semanas sem alguma novidade, até os livros lidos pareciam iguais. A monotonia ia-se instalando lentamente. Será que era possível sobreviver-se à mesmice? Ou será que a rotina poderia co-existir com um espírito tão insatisfeito? Ter que lidar com pessoas nunca foi das qualidades mais evidenciadas de M. (por favor descobre nome). Havia pessoas simpáticas que obrigavam-na a alargar o sorriso, havia pessoas rabugentas que aobrigavam a falar e deter-se em explicações inúteis. Por trás de uma secretária conheceu a cidade toda. Conheceu vícios e roupas, ouviu telefonemas e discussões. Nada despertava o seu interesse. Se possível desejaria estar num casulo escondido sem ter que lidar com espécies de seres humanos desejosos por falar. Menos um. Esse não falava. Era ele todo rotina: sempre no mesmo dia, à mesma hora. De semana a semana lá vinha ele, devolvia os livros, sentava-se a ler os jornais e revistas mais interessantes, escolhia mais dois livros quase sem interesse e ia-se embora. E nesse tempo fugaz de entrega e requisição de livros havia poucas palavras ou quase nenhumas. M. tinha um defeito/qualidade. Era esponja, absorvia as personalidades das pessoas e tornava-se igual. Se sorriam, sorria, se discutiam discutia, se se calavam, calava. Só este a olhava e ela também olhou. (blarghhhh). destrui a minha inspiraçao... aqui esta o primeiro rascunho. continua.
Nao consigo... Conto eliminado. A pressão foi muita, os sentimentos demasiado imaginados. blargghhh
errr... ou nao? começo como? a falar sobre o tempo? gostava que fosse no meio ja do acontecimento: in media res. depois voltavas para tras e explicavas... tipo assim:
Dia longo este... Já começava a custar a passagem da novidade para a rotina, o cumprimento dos horários, sempre as mesmas tarefas e conversas. Passavam-se semanas sem alguma novidade, até os livros lidos pareciam iguais. A monotonia ia-se instalando lentamente. Será que era possível sobreviver-se à mesmice? Ou será que a rotina poderia co-existir com um espírito tão insatisfeito? Ter que lidar com pessoas nunca foi das qualidades mais evidenciadas de M. (por favor descobre nome). Havia pessoas simpáticas que obrigavam-na a alargar o sorriso, havia pessoas rabugentas que aobrigavam a falar e deter-se em explicações inúteis. Por trás de uma secretária conheceu a cidade toda. Conheceu vícios e roupas, ouviu telefonemas e discussões. Nada despertava o seu interesse. Se possível desejaria estar num casulo escondido sem ter que lidar com espécies de seres humanos desejosos por falar. Menos um. Esse não falava. Era ele todo rotina: sempre no mesmo dia, à mesma hora. De semana a semana lá vinha ele, devolvia os livros, sentava-se a ler os jornais e revistas mais interessantes, escolhia mais dois livros quase sem interesse e ia-se embora. E nesse tempo fugaz de entrega e requisição de livros havia poucas palavras ou quase nenhumas. M. tinha um defeito/qualidade. Era esponja, absorvia as personalidades das pessoas e tornava-se igual. Se sorriam, sorria, se discutiam discutia, se se calavam, calava. Só este a olhava e ela também olhou. (blarghhhh). destrui a minha inspiraçao... aqui esta o primeiro rascunho. continua.
Nao consigo... Conto eliminado. A pressão foi muita, os sentimentos demasiado imaginados. blargghhh
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