15 abril 2009

Ideias coloridas de cidades sem cores

Vivo na cidade Tinta da China, o meu mundo é todo cinzento. Os prédios são feitos de cimento, os carros correm e deixam um rasto de fumo. Penso que os carros foram feitos de acordo com os nossos dias. Também eles passam a correr e viram fumo. Brinco com objectos de prata, bonecas de ferro, escorregões de alumínio, jornais. O céu está sempre cinzento e eu adoro olhar para as nuvens e imaginar histórias enquanto as nuvens correm e mudam de forma. Adormecíamos encavalitados de trabalho. Nem mesmo a dormir parávamos. No mundo dos sonhos brincávamos com brinquedos coloridos. Sonhávamos com cores. Decidi um dia prolongar o meu sonho e voar pela imaginação.

Voei numa folha de jornal para além das nuvens cinzentas que rodeavam a minha cidade. Pousei numa flor violeta. E reparei numa cidade toda Violeta. Tinha casas feitas de ametistas e todas elas estavam rodeadas de flores. As flores estavam sempre alegres e conversavam muito. Cada uma delas esforçava-se por fazer crer que era mais especial. Tanto que parecia que cada flor estava roxa de inveja das que a rodeavam. Senti que só eram bonitas e grandes para serem melhor que as do lado. Percebi que não queriam saber de si, mas preferiam olhar para as outras e confirmarem a sua beleza transcendental. Tentei fazer com a folha do jornal uma flor mais bonita que todas!! Mas o papel era frágil e eu comecei a rodopiar em cima da minha flor para bem longe dali.


A minha flor pousou com suavidade por cima de um monte de almofadas. Vi uma cidade feita de uma cor escura e profunda. Não se via nada mais do que essa cor. Chamavam-lhe cidade Índigo. Tudo lá era fofo, feito de almofadas e penas. Vivia-se num mundo de sonhos. Podia-se imaginar tudo o que se quisesse! Era uma cidade calma e sonhadora. Aproveitei para sonhar aquilo que nunca pensei sonhar. Depois, vi que o mundo não é feito só de sonhos e que devíamos um dia poder acordar e viver. Ver o dia, não só a noite. Realizar, não só sonhar. Sonhei que queria sair dali e realmente vi outra cidade.



Depois do mais profundo mar, fiquei a pairar num céu azul e limpo. Vi meninas a dançar, sempre sem parar. Eram felizes e cheias de energia. Viviam na cidade Azul. O ar era puro e fresco, como se fosse sempre manhã. Tinha de me desviar para não ser atingida por braços voadores. Não descansavam. Tinha de fechar os olhos para imaginar “não movimentos”, mas mesmo assim passavam por mim ventos azuis que me davam a sensação de movimento constante. Não sabiam descansar porque tinham medo de cair. Não sabiam o que era pisar os pés na terra. Viviam a pairar sem nada onde agarrar. Senti-me desequilibrada e perdi-me numa queda que nunca mais acabava.


Caí com toda a força no meio de um relvado fresco. Cheirava a natureza fresca. Sentia esperança dentro de mim e vi que tudo estava pintado com esperança. Verdes eram as casas, verde era a relva, verdes eram os olhos que me fitavam. Vinham ter comigo e faziam brincadeiras de pessoas verdes. Brincavam até que cresciam e se tornavam grandes, mas estavam sempre na infância. Tudo era pequenino. Até os frutos viviam na esperança de amadurecer, mas ficavam sempre verdes de esperança. Era o mundo da brincadeira, da primavera, da natureza a nascer. Mas nada desenvolvia e antes que a minha folha de jornal se tornasse numa folha de árvore, pus me em cima dela, como se fosse um tapete voador e rumei até ao céu.


Foi difícil abrir os olhos e só depois de ter feito um chapéu é que consegui ver para lá da luminosidade que me rodeava. Vi sorrisos e muita energia. Vi pessoas a brincarem, a correrem, a saltarem. Parecia tudo raios de sol que emanavam energia quando passavam. Era uma loucura contagiante. Parecia que tudo nos fazia mexer e ouviam-se risos por tudo e por nada. Tanto que deixaram de ter sentido e tornaram-se sorrisos amarelos. Todos que passavam por mim sorriam-me da melhor forma que podiam, mas eu só via bocas com dentes. Tapei a minha cara com o chapéu e aproveitei a energia para correr dali para fora.



Só quando me cansei de tanto correr e só conseguia andar é que tirei o chapéu e vi o melhor dos cenários. Era um pôr do sol gigante. Quase a adormecer, o sol estava tão grande que cobria a cidade toda de um laranja fenomenal. Todos adoravam o sol, e olhavam para ele como um Deus. As crianças homenageavam aquele espectáculo com danças de papagaios laranjas. Como se pudessem pendurar o sol num fio e conseguissem levá-lo a passear. Sentiam-se tímidos perante tal beleza e nunca souberam o que era noite ou dia. Viviam sempre no final da tarde. Prometi voltar e mostrar-lhes outras cidades. Passei pelo meio do sol e tudo se tornou noutra cor.



Senti-me escaldada pelo sol. Vi que estava a ficar vermelha como a cidade em que estava. Olhei a minha volta e vi pessoas com os sentimentos à flor da pele. Tinham a pele sensível e a alma também. Tudo neles eram sensibilidades. Viviam do coração. Tanto estavam irascíveis como eram as pessoas mais amorosas à face da cidade. Reinava a instabilidade e, por muito bons que alguns sentimentos fossem havia sempre um medo de que os maus voltassem de um momento para o outro.



Reparei então que em todas as cidades que estive todas elas tinham defeitos e qualidades. E, que seria bom se se conhecessem e descobrissem quem eram através das suas diferenças. Perguntei a cada cidade se poderia disponibilizar alguns momentos de convívio. Nunca foi minha ideia misturar as cidades, cada uma tem a sua beleza única. E vendo cada cor distinta mas em harmonia com as outras criou-se o arco-íris na cidade cinzenta. De vez em quando, vê-se no céu as cidades

a dançar harmoniosamente, deixando um rasto luminoso de cores, agradecendo assim a oportunidade que lhes foi dada. Ninguém fica indiferente a um arco-íris.

21 fevereiro 2009

País das Cores

SONHO para a-COR-dar

Olá! Ando de cidade em cidade a contar uma história que aconteceu no local onde moro. Uma história que mudou o meu mundo. Para isso, preciso de vos contar aquilo que vi. Era um segredo da nossa cidade e depois de muito falarmos decidimos espalhá-lo pelo mundo.

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( meninas a entrarem e a andarem em fila umas a contar segredos às outras até ficarem todas juntas à parede – nos sítios)

Eu vivia na cidade sem cor, o meu mundo era todo em tons de cinzento. Os prédios eram feitos de cimento, os carros corriam e deixavam um rasto de fumo. Penso que os carros foram feitos de acordo com os nossos dias: também eles passam a correr e viram fumo. As nossas brincadeiras eram feitas com objectos de prata, bonecas de ferro, escorregões de alumínio, jornais e muito mais! O céu está sempre cinzento e eu adoro olhar para as nuvens e imaginar histórias enquanto elas fogem e mudam de forma... Adormecíamos encavalitadas de tanto cansaço, mas nem mesmo a dormir parávamos. No mundo dos sonhos brincávamos com brinquedos coloridos. Sonhávamos com cores.

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Um dia decidi prolongar o meu sonho e voar pela imaginação!!!(vvvvv vvvvv vvvvv) Voei numa folha de jornal para além das nuvens cinzentas que rodeavam a minha cidade. Lá ao longe comecei a ver flores a rodar. Pareciam cada vez mais.

Pousei numa flor violeta. E reparei numa cidade toda Violeta. As flores estavam sempre alegres e conversavam muito. Cada uma delas esforçava-se por fazer crer que era mais especial. O esforço era tanto que pareciam mais roxas de inveja do que violetas naturais. Senti que só eram bonitas e grandes para serem melhores que as do lado. Percebi que não queriam saber de si, mas preferiam olhar para as outras e confirmarem a sua beleza.

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Decidi fazer com a minha folha de jornal uma flor em 3 tempos e 3 movimentos para que elas vissem que nem todas são perfeitas, mas nem por isso menos bonitas.

Quando reparam na minha flor, ficaram boquiabertas! Juntaram-se todas e fugiram abraçadas de medo, chocadas com tamanha ousadia.

Saí daquela cidade e dois arbustos brincalhões começaram a aparecer. a minha flor de jornal pousou em cima deles e senti que estava noutra cidade. Cheirava a natureza fresca. Sentia esperança crescer em mim e vi que tudo estava pintado com esperança. Verdes eram as casas, verde era a relva, verdes eram os olhos que me fitavam. Vinham ter comigo e faziam brincadeiras de pessoas verdes.

Brincavam até que cresciam e se tornavam grandes, mas estavam sempre na infância. Tudo era pequenino. Até os frutos viviam na esperança de amadurecer, mas ficavam sempre verdes de esperança. Era o mundo da brincadeira, da primavera, da natureza a nascer.

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Reparei que nesta cidade nada se desenvolvia e, antes que a minha folha de jornal se tornasse numa folha de árvore, pus-me em cima dela, como se fosse um tapete voador e rumei até chegar ao céu. Lá ao longe vi as meninas verdes a desaparecerem aos saltos. Depois de muito voar fiquei a pairar num céu azul e limpo. Vi meninas a dançar, sempre sem parar. Eram felizes e cheias de energia. Viviam na cidade Azul. O ar era puro e fresco, como se fosse sempre manhã. Tinha de me desviar para não ser atingida por braços voadores e cabeças de crista. Tanto estavam a mergulhar como já voavam. Fechei os olhos para imaginar que nada se mexia, mas mesmo assim passavam por mim ventos e ondas azuis que me davam a sensação de movimento constante.

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As meninas azuis não sabiam descansar porque tinham medo de cair. Não havia nada onde se pudessem agarrar, nem nenhum pedaço de terra para pisar. E quando vi que estava no meio de nada e senti falta de chão comecei a cair rapidamente. Socorro!

Começaram a aparecer um monte de almofadas que apararam a minha queda. Pousaram-me com suavidade no chão e lentamente foram adormecendo.
Vi uma cidade feita de uma cor escura e profunda. Não se via nada mais do que essa cor. Chamavam-lhe cidade Índigo. Tudo lá era fofo, feito de almofadas e penas. Vivia-se num mundo de sonhos. Podia-se imaginar tudo o que se quisesse! Era uma cidade calma e sonhadora. Aproveitei para sonhar aquilo que nunca pensei sonhar.

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Depois, vi que o mundo não é feito só de sonhos e que devíamos um dia poder acordar e viver. Ver o dia, não só a noite. Realizar, não só sonhar. Sonhei que queria sair dali e que me tentavam impedir mas como só conseguiam gatinhar não me apanharam. Tentei acordar mas foi difícil abrir os olhos por causa da claridade! e só depois de ter feito um chapéu é que consegui ver para lá da luminosidade que me rodeava. Vi sorrisos e muita energia. Vi pessoas a brincarem, a correrem, a saltarem. Parecia tudo raios de sol que emanavam energia quando passavam. Era uma loucura contagiante. Parecia que tudo nos fazia mexer e ouviam-se risos por tudo e por nada. Tanto que deixaram de ter sentido e tornaram-se sorrisos amarelos.

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Todos que passavam por mim sorriam-me da melhor forma que podiam, mas eu só via bocas com dentes. Tapei a minha cara com o chapéu e aproveitei a energia para correr dali para fora.
Só quando me cansei de tanto correr e só conseguia andar é que tirei o chapéu e vi o melhor dos cenários. Meninas tímidas a guardar os seus tesouros à beira de um pôr- do-sol gigante. Quase a adormecer, o sol estava tão grande que cobria a cidade toda de um laranja fenomenal. Todos adoravam o sol, e olhavam para ele como um Deus. As crianças homenageavam aquele espectáculo com danças de papagaios laranjas. Era como se pudessem pendurar o sol num fio e conseguissem levá-lo a passear. Sentiam-se tímidas perante tal beleza e nunca souberam o que era noite ou dia. Viviam sempre no final da tarde.


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Tentei em vão dizer-lhes o que era a manhã ou estrelas. Prometi mostrar-lhes outras cidades e fui me embora. Despediram-se com os papagaios a voarem. Passei pelo meio do sol e tudo se tornou quente. Vi que estava a ficar vermelha. Olhei a minha volta e vi pessoas vermelhas com os sentimentos à flor da pele. Tinham a pele sensível e a alma também. Tudo neles era sensibilidade. Viviam do coração. Tanto estavam irascíveis como eram as pessoas mais amorosas à face da cidade. Reinava a instabilidade e, por muito bons que alguns sentimentos fossem, havia sempre um medo de que os maus voltassem de um momento para o outro.


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Reparei, então, que todas as cidades tinham defeitos e qualidades. E que seria bom se se conhecessem e descobrissem quem eram através das suas diferenças. Perguntei a cada cidade se queria conviver com as outras. Aceitaram o meu convite e, desde esse dia encontram-se e dançam todas juntas.

Por vezes, quando da cidade cinzenta se olha para o céu, vê-se um arco-íris a dançar harmoniosamente, deixando um rasto luminoso de cores. São as cidades a agradecerem a oportunidade que lhes foi dada. O sonho que eu tive despertou as cores e os movimentos que estavam esquecidos em cada um de nós. O sonho deu cor à vida e movimento à dança. Por isso, sonho para a-COR-dar.

06 fevereiro 2009

Poirot: a demanda do novo ser




A minha vida desenvolveu-se através de dúvidas e incertezas, de anseios e remorsos, sonhos e ilusões. E quando concretizo um sonho penso se não poderei sentir remorso, se não seria uma ilusão e nunca o deveria ter concretizado. O medo envolve-me e é difícil libertar-me dele e construir as minhas próprias e solitárias acções. E em momentos de louca coragem tomo as decisões da minha vida. Às vezes, egoístamente, mas com a melhor das intenções, envolvo as vidas dos outros. Tento por tudo fazer o melhor, nunca prejudicar ninguém.




Decidi, por isso, ter um cão. Não experimentar, não ver se resultava, não com meias decisões, podendo desistir. Mas sim comprometer-me a, pelo menos, 15 anos de vida com um cão. E aqui estou na primeira semana, abraçada a ele, a andar atrás dele, a limpar as necessidades não ocntroladas. Sempre com medo de um dia querer desistir. Mas, se isto é o pior, não é assim tão mau e consigo enfrentar 24 horas de cocós, porque compensa o minuto que ele se deita no meu colo. Compensa o momento em que sinto que ele começa a gostar de mim. Egoísta, sim. Mas espero que ele seja feliz comigo. Eu sou o cão, eu é que quero correr na praia, quero brincar à bola, quero me deitar no sofá com ele.




Bem vindo, Poirot.

28 janeiro 2009

Ar

Para que não pensem que vivo de pensamentos que pintam o mundo de preto, deixo aqui alguns pensamentos felizes e pictóricos. Está um dia tempestuoso lá fora. Ah! não é negro o dia, é bonito. Aconchegador. Estou a trabalhar e sei que mais logo estarei em casa, no sofázinho, com a minha filha e o Plutão, o cão. Às vezes, nada é melhor do que a rotina. Há coisas que saturam, outras que nos deixam mais cómodos. Falar com aqueles que amamos é mais valioso do que um punhado de diamantes. Saber falar, ver um sorriso a abrir na cara do outro, sentir a alegria do momento é deveras precioso. Devemos saber apreciar os momentos bons, distinguir o bom do normal. Porque há hábitos deliciosos. E não me importo de ser obesa se ficar feliz ;)

27 janeiro 2009

Demoro a acordar, é lenta a manhã. Mas já acordo. Já consigo dizer que há momentos em que não penso em nada, em que não sou eu, em que imagino mundos e pessoas e não fico a pensar neles. Esvanecem-se quando acordo, lentamente, mas acordo. Parece que tenho todas as razões para não querer acordar. Todas se confluem numa: a solidão. Sinto-me sozinha, vivo num mundo de pessoas egoístas e despreocupadas com os problemas alheios. Gostava de eu me preocupar com os problemas alheios, mas as pessoas estão constantemente a fugir de mim. Então, tenho os meus problemas e só eles me fazem companhia. Acordo porque reparei que se tenho problemas e precisam de ser resolvidos por mim só eu é que posso eliminá-los. E se ninguém compreende que precisava de pessoas para, sei lá, dar duas de treta, falo com os meus problemas. E, no fundo, bem lá no fundo, conheço realmente com quem posso contar, com quem poderei ficar para o resto dos meus dias, com quem se preocupa comigo. Também sei, bem lá no fundo, quem me quer mal, quem deveria gostar de mim e me odeia, quem lê o meu blog e fica calada,a rir-se provavelmente. Mas ódio deixa as pessoas tristes. E eu tenho pena, muita pena que tenha alguém próximo de mim, que esteja mentalmente doente. Tenho pena que só saiba viver das desgraças das outras pessoas. Tenho pena que só saiba rir da morte e não possa apreciar a vida. Não sou rancorosa. Só fico com pena. Esse é o meu estado extremo de desistência. Inveja é o que mata o mundo. Eu não me vou deixar levar por ela.

Dou graças ao amor e à vida. Seres grotescos e egoístas escrevo-os aqui e apago-os da minha memória. Não passam agora de palavras.

Outra questão: se tivessem dois seres vivos (um humano e um animal irracional) a morrer qual deles salvariam?

Hum.. pergunta bastante complicada... Eu escolhi o animal. Porque vi que o humano não tinha salvação. Mas o animal é difícil. Não dá para falar e fazer chantagem emocional. E obrigá-lo é a única solução. Saio ferida fisicamente, mas sei que estou a fazer tudo para o bem dele. Faço pelos animais, porque esses para mim são os únicos seres pensantes. Não pensam em fazer mal propositadamente, fazem mal para se defenderem, para dizer basta. Devíamos usar a capacidade racional para o bem, não para ferir.

20 janeiro 2009

work

Sinto repulsa por pessoas que sorriem quando sabem das tristezas que nos consomem a alma. Sinto repulsa por saber que eu sou o alimento dos pobres.Se calhar sinto repulsa de mim por alimentá-los. Não devia. Nunca ninguém passou por isso? Tenho pena! Mas muita pena! Pois nunca souberam amar! Nunca sentiram felicidade! E pensam que a tristeza que sinto agora nunca esteve associada a alegria. Enganam-se! Ninguém se sente triste se nunca foi feliz. Sente-se inveja nesses casos. E coisa que não sou é ser invejosa! Repulsa... Aqueles olhares de superioridade que me mandam. . O que me fazem para desprezar... Sinto pena, repulsa...E tristeza, porque conheço pessoas boas, e , infelizmente, estou rodeada de abutres!!!

Resignação

Custou aceitar que me deixaram de amar. Não sei mais que faça. Larguei as mãos, deixei de amarrar pedaços que me davam réstias de esperança. Deixei a esperança para trás. Já de nada vale. Tudo perdeu sentido. E agora o sentido vai ter de nascer outra vez. Vou ter de alimentar o meu corpo, por muito que me custe. Um pedaço de pão arranha a garganta, fica entalado a meio do caminho e sinto-o no estômago durante horas. Mas é esse pão ressequido e duro, que me vai fazer andar para a frente. A vida é feita de amarguras. E esta calhou-me a mim. Desesperadamente tentei lutar contra ela, mas nada do que pude fazer contribuiu para nada. Eu sinto-me nada. Nem escrever consigo mais... Só gostava que soubessem que eu poderia ter sido feliz daquela maneira. Há de haver outras. Tem de haver.

Para ti*

19 janeiro 2009

Amor

Três dias sem comer e duas noites sem dormir. Porque de repente a minha alma saiu de mim. E é me insuportável viver sem ela. As paredes têm a sua presença, o seu cheiro. Nas ruas passam as memórias em carros azuis bebés, cashcais, e carro nenhum que poderia ter história se pudessemos falar. Ha coisas na vida que nos deitam para baixo, como a morte de um ente querido. Ha coisas na vida que nos tiram a vontade de viver, quando aquele que mais queremos nos deixa. Sinto-me como tivesse fingido ser cega durante um tempo e quando quero abrir os olhos vejo que fiquei mesmo cega.. E não há arrependimento que chegue, nem promessas de que se tiver os meus olhos de volta prometo que olharei a tudo sem discriminação!! É verdade, eu não quero estar cega, ou sem a minha alma, sem a minha razão de vida.
Faço tudo errado, não consigo ser gerida pela razão. Vejo-me a suplicar pelos meus olhos, a minha vida, a minha alma a quem eu não dei o devido valor. Ah! Como dói não dar o devido valor! Como dói sentir esta perda! Será que tenho de aprender desta maneira? Toda a gente que me viu sofrer, que me viu desistir disse que não valia a pena... Por que é que dizem isso? Não vêm a importância que tem os meus olhos, a minha vida, a minha alma? Como me podem dizer sê forte, quando a minha força foi com ele? Como me podem dizer não digas nada? Para mim é como deixar de respirar. E estou a fazer um esforço extremo por não respirar. Dói, mas não quero que o ar fuja. Preciso dele. E não sei o que fazer. Disse que não acreditava em Deus, e não me acredito. Por que se Deus existisse via que eu estou a ser sincera e quero a maior felicidade para os meus olhos, a minha vida, a minha alma. Serei egoísta ao pensar que poderei fazer uma pessoa feliz? Não quero magoar ninguém. E ouço vezes sem conta uma voz gélida a dizer-me que não dá mais, que já pude desfrutar dos meus olhos, que ficaram cansados e não querem me ver mais... Oh! Como dói ouvir isso... O que faço? Como é seguir em frente? Qual é a frente? Serei eu louca ou é o meu coração que me impele a insistir? Por que é que a Pandora me deixou com a esperança? Eu acho que há esperança. É por isso! Quero ter mais tardes no só nosso banco na marginal da Póvoa, quero ter mais um sorriso teu. Eu não o posso ver, mas lembro-me dele. Tão distante... Quero olhar para ti como sendo parte de mim, não uma amputação. Quero acordar, mas antes quero dormir, e pensar que tu existes no meu mundo e isso não me deixa triste, mas feliz. Não sei ter relações...Não sei..Fui imatura e pensava que estava certa... Eu preciso de uma oportunidade! Não quero que isto seja como o último dia em que vi o meu pai! Não quero ficar de braços cruzados! Não consigo, não posso deixar que o meu eu imaturo e cego deixe vencer o meu outro eu seguro e esperançoso. Que mais promessas poderei fazer? Que palavra ou que acção me levariam a ter os meus olhos de volta? Será calar-me ou falar? Será fingir felicidade ou desabafar fraquezas? Não sei quanto mais tempo aguento, sei que os dias parecem cada vez mais ferozes e pálidos. E não aguento mais perder outra pessoa na minha vida. Não está no meu ser magoar as pessoas ao ponto de me deixarem. Não está no meu ser viver com isso. Aceitar isso. Não me vejo em casa, na rua, no trabalho, com outras pessoas sem poder ter a minha alma. Era esta a minha alma. Eu sei. Nós sabemos quando é o tal. E, ao que parece, foi isto que o tal me deu. Mais não posso pedir. Gostava que ele visse como eu posso ser a tal também. Ai se posso!

10 janeiro 2009

dor

Dói não nos sentirmos amados.
Dói descobrir que não somos especiais, que já não está lá o rapaz que me esperava de bicicleta todos os dias de manhã para me acompanhar à escola, nem o que viajava quilómetros para me ver aos fins de semana, nem aquele que mudava de autocarro só para ir comigo, nem nenhum outro. Tantas promessas me fizeram e todas elas se esfumaram com a desilusão do meu ser.
É de ficar a pensar.
Isto de exigir comportamentos numa relação torna-nos diferentes. Ou então somos diferentes e depois começamos a revelarmo-nos. Não sei se é uma mistura controversa de ilusões e máscaras. Provavelmente nunca somos quem somos quando partilhamos a vida com alguém, mas tornamo-nos um outro agradável ou não.
Eu, evidentemente, era desagradável ao ponto da saturação. Pena de mim? Acho que não. Sinto-me aliviada até! Sinto-me outra. Crescem esperanças ao ver que me torno uma só diferente. Só eu me conheço. Não me importam julgamentos externos. Lá sei quem sou.

Essa não sou. Se calhar já fui, tenho um bocado de pena...Mas remorsos? Não. Se fosse diferente ficava no primeiro namorado e não tinha conhecido o segundo, nem o terceiro, nem o quarto. Oh...Olá quinto!! Desta vez sou assim, já fui assim e aquele não gostou muito, e com aquele era ridiculamente assim!!ah!ah! mas são águas passadas. Nada de Sá Carneiro, os meus beijos não são os deles juntos, são só os meus e únicos. Experimenta! Ou não...Não gostei dessas promessas falsas...Não! Pára, já não quero...Isso não se diz...Casar comigo? Mas tu não me conheces... Amar-me! Palavras vãs. Xau quinto.

Sexto? Não sei. Olha sexto, fazemos assim, nada de promessas, nem de palavras vãs...Pois...Não sei...Sem palavras é complicado..eu sei...Mas as palavras não resultam comigo. O que faço? Alguma ajuda do futuro?!!?? Décimo?? És tu o último? És o melhor ou o que se arranja? Escolhi-te ou tudo o que veio à rede é peixe?

Sozinha eu? Olá ? Números?? pois...sozinha...talvez...


olá zero, olá. Sim, tu compreendes-me e eu compreendo-te. Vamos ser felizes!! Eu sinto desta vez é que é!! Zero à esquerda ou à direita, isso é lá comigo, ficas bem dos dois lados e sinto-me sempre bem do teu lado. És importante para mim, e podes me fazer sentir importante. É disso que eu gosto! De ser especial para alguém! Dá-me alegria ao acordar! Sem zero dói.

Anseios

Sou um espírito puro que anseia por aquele momento mágico em que o amor verdadeiro me leve a descobrir o êxtase da carne e da alma em uníssono.

Desejo manter aqueles momentos de leitura à lareira enquanto o frio me tenta tornar gélida.

Quero o meu espaço, com as minhas coisas e com o meu tempo.

Dançar é viver. Quero dar vida. É a única coisa que me dá alento.

Quero começar de novo. Estar com pessoas novas. Fugir de quem se tornou um ser que só ouve o ruído de morte que devagar rói e persiste.


30 dezembro 2008

PARIS 2008

Meninos e meninas, Paris espera-me pela quarta vez:) O que eu queria mesmo era morar lá, mas à falta de melhor faço-lhe uma visitinha de ano a ano. Já é amanhã que chego...e o tempo parece não passar... Para além disso estou gripada e vou apanhar lá um frio de morte. Espero não ter de dizer ao Ricardo e à Áurea para irem percorrer as ruas de Monmartre que eu fico na cama!! Eles bem que agradeciam...Aturar-me durante cinco dias só mesmo para as almas mais caridosas. Estou mortinha por trazer fotografias. Sou tão burra, quase que prefiro as fotos ao momento. Parece que vivo outros momentos a mais ao olhar para as fotografias que tirei. Bem gosto de manipular a minha memória:) Espero não me esquecer de nada para trás; espero não stressar com o Ricardo, o Santo; espero que Áurea goste; espero que haja comidinha boa e quente e barata; espero não ficar sem sapatos; espero que neve (mas não em cima de mim). Espero ir amanhã:)

05 dezembro 2008

Moliére

Antes de ir a Paris, decidi ler literatura francesa. Antes de ir a Versailles, não podia deixar de ler Moliére. Quanto me espanto, ao ler a introdução de D. João editado pelo Campo das Letras, ver nomes de figuras de Vila do Conde misturadas com o meu padrinho de curso!! Mais não me espanto quando vejo que o assunto estava relacionado com as falas das Caxinas. O linguajar dos caxineiros. Trabalho que fiz em fonética no terceiro ano da faculdade com o meu padrinho. Gostei da coincidência.

Ora, o D. João de Moliére está traduzido por Nuno Júdice e com a ajuda dos caxineiros conseguiram arranjar uma fala mais cómica para as personagens Pierrot e Carlota.

Aqui vai um excerto:

Carlota:
-"E eu num te gosto de ti?"

Pierrot:
-" Não, tu num te gostes de mim. E eu faço tudo por ti. Num resmungo quando te bou a comprare coises à loje de fazendes, molho as ceroiles quando te bou às lapes e aos mexilhõses, mando os tocadores de concertine tocare no dia dos teus anos. Era milhore dar co'a cabece na parede. Pra que bejes que num é bão nem de gente sera num se gostare de quem se goste de nós."

Carlota:
"Mas, Birge Santa, eu te gosto de ti."

15 outubro 2008

A Sombra do Vento

Um livro excelente. Em que não existe acaso. E não foi por acaso que veio parar às minhas mãos. Andava eu na demanda de um livro que me conquistasse, desesperada, resolvi pedir ao Daniel que me procurasse entre as prateleiras o livro dos livros: Mil e Um Livros Para Ler Antes de Morrer. Antes que pudesse folheá-lo deparo-me com a entrega de desabafos e de um livro. A leitora sentiu-se na obrigação de me aconselhar o livro para ler, dizendo que nunca leu nada assim. E eu vi no olhar dela que não estava perante um livro de Danielle Steel ou Nora Roberts. Senti-me convidada a desabafar e expús-lhe a minha demanda por um novo livro. A leitora aconselhou-me vivamente a Sombra do Vento. Li o primeiro parágrafo. Interessou-me, mas para perder qualquer desconfiança procurei no livro Mil e Um livros para ler antes de morrer. E lá estava ele: A Sombra do Vento de Carlos Ruíz Zafón. Comecei a lê-lo. Personagem principal: Daniel. História: escolha de um livro ( A Sombra do Vento). Cito e faço dele as minhas palavras: " Talvez fosse aquele pensamento, talvez o acaso ou o seu parente de gala, o destino, mas naquele mesmo instante soube que já tinha escolhido o livro que ia adoptar. Ou talvez devesse dizer o livro que me ia adoptar a mim."

Hoje, no último capítulo - "Post-Mortem", verificando já que para além do ênfase dado ao destino, também há uma valorização do círculo inevitável da vida, vem uma leitora perturbar a minha leitura, requisitando um livro intitulado de : "Post-Mortem".

O livro fala para mim e diz-me: não me vais esquecer. É um facto. É o poder deste livro!!


Obrigada.

12 setembro 2008

DEXTER



Este é o livro que estou a ler, inspirou uma das minhas séries preferidas: Dexter. A primeira frase é: A lua.

P.S.: desisti...demasiado igual à série.. Não há nenhuma surpresa escrita...

06 setembro 2008

Dance

04 setembro 2008

Guilhotina

Cortem já a cabeça!!!
Cortem já a cabeça!!
A todos que ousarem passar no meu caminho!!
A qualquer um que ouse olhar para mim!!
Aqueles que ousaram não olhar!!!
Quero ver sangue a correr!!
Cabeças a rolarem!!
Tal como uma pétala de rosa a voar com o vento, quero sentir o sangue dos que ousaram me perturbar!
TU! TU! E TU!
cabeças cortadas já!!!
Àqueles que não falaram e àqueles que falaram de mais que lhes falte a cabeça!
Morte a todos que passaram à minha frente!!
Aqueles que ficaram para trás!
Aos traidores e aos que ainda não trairam!!
Sangue a dançar!!
Cabeças a rolar!!
É hora de matar!!Matar!!
O sangue só é puro quando toca nas minhas mãos! Reguem as rosas com sangue. Quero vê-las a crescer.
As minhas filhas! O vosso pai é o mundo e eu sou a que o governa.

14 agosto 2008

A Ilustre Casa de Ramires

" Oh Avós, de que me servem as vossas armas-se me falta a vossa alma?"
Acabei hoje de ler A Ilustre Casa de Ramires. Gostei da personagem Gonçalo, ainda bem. Porque se não gostasse não gostava de Portugal! Não gostei muito da parte do romance histórico que ele estava a escrever. Talvez porque épocas medievais não são as minhas preferidas. Mas se não fosse essa parte não sentia o alívio e prazer das outras partes. Gosto das descrições das paisagens, acho-as deliciosas.
"Duas casas térreas povoam o lado fronteiro do adro - uma limpa, com as umbreiras das janelas pintadas de azul estridente, a outra deserta, quase sem telhado, afogada na verdura de um quinteiro bravo, onde girassóis resplandecem. Um pensativo silêncio envolvia o arvoredo, as altivas ruínas. E nem o quebrava, antes serenamente o embalava, o sussuro de uma fonte, que a estiagem adelgaçara em fio lento, e mal enchia o seu tanque de pedra, toldada pela pálida e rala folhagem de um chorão muito alto."
Achei o final um bocado rápido, passaram-se quatro anos numa página. A fuga para África achei despropositada. Mas pronto. Agora vou para A Relíquia. E espero que o Eça me perdoe de ter uma perspectiva tão curta acerca das suas obras!!